Douglas Cazaroti
Química e ambiente4 min de leitura

O holocausto das abelhas

“Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça…

Por Robson Correa

“Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana.”

Estas palavras proféticas foram pronunciadas pelo físico Albert Einstein, na década de 50, durante uma entrevista, para explicar o delicado equilíbrio ecológico do planeta.

Muito provavelmente, naquele momento, Einstein não imaginou que sessenta anos depois, estaríamos realmente enfrentando este problema, que, naquele momento, não passava de um mero exercício de imaginação.

O desaparecimento das abelhas é um problema que vem ganhando proporções alarmantes no hemisfério norte, e seus impactos, também já começaram a ser sentidos no hemisfério sul.

Conhecendo as Abelhas

Abelhas, são insetos voadores pertencentes à ordem Hymenoptera, (assim como vespas e formigas), são classificadas como integrantes da superfamília Apoidea e subgrupo Anthophila.

Especula-se que existam cerca de 20.000 espécies diferentes de abelhas (só no Brasil, mais de 3.000).

Possuem cinco olhos, antenas, dois pares de asas e três pares de patas. Existem abelhas com ou sem ferrão, coloniais ou solitárias.

No mundo atual as abelhas desempenham funções de extrema importância, pois, além de produzirem mel, cera, própolis e geleia real (produtos de alto valor no mercado), elas também (e principalmente) são as responsáveis pelo processo de maior importância na agricultura, a POLINIZAÇÃO.

Polinização, o motor da biodiversidade

É por meio da polinização que os grãos de pólen são transferidos do órgão reprodutor masculino para o órgão reprodutor feminino da planta, resultando na formação das sementes que dão origem às frutas e legumes.

As abelhas são os principais agentes polinizadores, uma vez que se beneficiam tanto do pólen (cera e geleia real) quanto do néctar (mel) das flores.

O motivo da crise

Mais de 3/4 das espécies utilizadas pelo homem na produção de alimentos dependem da polinização para uma produção de qualidade e quantidade para abastecimento.

Sem o processo de polinização, os problemas são múltiplos, que vão desde frutas deformadas, sem valor nutricional e sem sabor, uma vez que a planta somente investe energia e recursos na transformação da flor que foi polinizada (isto nas plantas que não dependem de polinização), até a não produção de alimentos, nas plantas que dependem exclusivamente de polinização para se reproduzir.

Mas não para por aí, o mais grave é que, cerca de 88% das espécies de plantas e vegetais, dependem da polinização para se reproduzir, desta forma, além da produção de alimentos decair a níveis críticos, ainda temos o risco de não existirem plantas suficientes para a produção de grande parte do oxigênio vital para a sobrevivência de todas as formas de vida em nosso planeta.

Ou seja, o desaparecimento irá desencadear uma reação em cadeia no meio ambiente que irá afetar cada ser vivo da natureza.

Possíveis causas

Este, trata-se de um dos mistérios da atualidade que mais intriga a comunidade científica no mundo, justamente por existirem diversos suspeitos, podendo, inclusive, todos estarem contribuindo de alguma forma para esta crise.

Estes vão de causas provocadas pelo homem, como uso indiscriminado de agrotóxicos, desmatamento, queimadas; até a causas naturais como epidemias (vírus, fungos e parasitas), mudanças climáticas e deficit nutricional.

Situação atual

As populações de abelhas na Europa e América do Norte, tem caído vertiginosamente, por um fenômeno conhecido como "desordem de colapso das colônias", em que abelhas operárias desaparecem abruptamente das colmeias, provocado por agrotóxicos a base de nicotina, pois, ao entrar em contato com essa substância,a abelha perde sua memória de navegação, perdendo a capacidade de retornar à sua colmeias de origem.

Na China a situação também já é alarmante, a ponto de gerar uma nova profissão na agricultura, as "abelhas humanas", que são pessoas cuja função é polinizar, manualmente, as plantas.

No Brasil, desde 2011, percebeu-se que não existem mais, na natureza, abelhas o suficiente para polinizar as culturas, tendo como resultado frutos com sabor e formato adulterados, desta forma, colmeias particulares vêm sendo alugadas para polinizar lavouras em fazendas por todo o país.

Como reverter esta situação?

Se faz necessária a criação de Políticas públicas que incentivem a redução do uso de agrotóxicos, e isto se faz se informando à respeito dos trâmites políticos do cotidiano.

O Brasil tem fama internacional pela sua permissividade com o uso indiscriminado de defensivos e fertilizantes altamente tóxicos, em suas lavouras, e que figuram como proibidos em vários países do mundo.

O eleitor brasileiro, que é quem está se alimentando de veneno, precisa PRESSIONAR seus congressistas e parlamentares para adoção de políticas de sustentabilidade socioambiental, de modo que sejam implementadas, POR LEI, técnicas de cultivo menos nocivas e que promovam a variedade de culturas (as monoculturas que limitam a diversidade da alimentação das abelhas e a recuperação do solo).

Resumindo, deve-se EXIGIR do Poder Público que a agricultura seja realizada com o intuito de alimentar com saúde a população, e não para, produzir mercadorias voltadas para apenas gerar lucro para um grupo de poucos privilegiados.